A Estratégia da Microsoft para BPM
18 de Abril de 2008 às 10:57 Rafael Bortolini | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 541
A estratégia da Microsoft em relação ao Mercado de BPM (Business Process Management) é, até o momento, um tanto difusa. Ao contrário de outros grandes players como SAP, IBM e Oracle, a Microsoft não tem, até o momento, um portfólio integrado ou solução completa para o mercado de gestão de processos de negócios.
A realidade é um conjunto de softwares que, mesmo unidos, ainda não contempla todo o ciclo de vida de processos. Vejamos:
- BizTalk Server: o BizTalk é a ferramenta mais robusta da Microsoft para integração de aplicativos. É claramente um software de EAI (Enterprise Application Integration) ao qual foram agregadas alguns features de negócio na tentativa de aproximá-lo do conceito de BPM. Entre elas, destacam-se BAM (Business Activity Monitoring) e BRE (Business Rules Engine). Entretanto, o conceito original da ferramenta permanece, que é um ambiente de desenvolvimento para integração de aplicativos. É uma ferramenta cujo uso requer conhecimento técnico específico e especializado, e cujo uso é limitado a ações automatizadas de sistemas. Está muito longe de um ambiente integrado para gestão de processos, em sua mais ampla definição.
-
SharePoint 2007: o SharePoint 2007 foi lançado com 3 níveis de ações em processos: Workflows Internos, SharePoint Designer e importação do WWF (Windows Workflow Foundation).
- Workflow Internos: consiste em alguns processos pré-prontos, como aprovações, revisões, distribuição, etc. que vem instalados na ferramenta e ao qual o usuário de negócio pode vincular a alguma biblioteca de documentos do Sharepoint ou lista do SharePoint. De muito fácil uso, peca pela simplicidade: a organização é obrigada a mudar seus processos para adaptar ao template da Microsoft e a prática nos diz que isso é desconsiderar o valor estratégico dos mesmos, um dos pilares do BPM. Além disso, tem uso restrito em alguns poucos processos que chamamos “commodities” da empresa.
- Sharepoint Designer: consiste em uma ferramenta “desktop”, evoluída a partir do antigo – e descontinuado – Microsoft FrontPage. De modo mais amplo, o SharePoint Designer é a ferramenta utilizada para customizar um portal SharePoint, principalmente em relação aos seus aspectos visuais. Teoricamente é uma ferramenta que poderia ser usada por usuários de negócio, mas práticas de governança focam seu uso em profissionais especializados. Essa ferramenta possui um contrutor de processos, onde o administrador do Portal pode definir uma série de passos (incluindo condicionais e paralelos) através de uma lista de condições. É uma evolução dos Workflow Internos, uma maneira de customizá-los, ainda assim sem prover uma visão de processos global, sem permitir o uso de processos complexos e sem considerar processos que envolvam pessoas e aplicativos legados, ao mesmo tempo. Focado para uso em bibliotecas e listas do SharePoint.
- WWF: consiste em possibilidade de importar uma definição de processo WWF para o Sharepoint. Vejamos mais abaixo:
- WWF : o Windows Workflow Foundation é um conjunto de bibliotecas (DLL´s) e templates de projetos que devem ser adicionados ao Visual Studio.NET, a principal ferramenta de programação .NET da Microsoft. Trata-se, portanto, de uma tecnologia de uso exclusiva por programadores, arquitetos e profissionais que, além de conhecerem a fundo a plataforma .NET, tem que conhecer a biblioteca WWF. Na prática, o WFF consiste em uma nova forma de programar sistemas; ao invés de código orientado a objetos, o código é orientado e atividades em um processo (mesmo assim, respeitando o conceito de classes). O WWF não possui interface para acesso por usuário finais, não possui lista de tarefas, não possui relatórios, não possui repositório de dados. O WWF não pode jamais ser considerada uma ferramenta de processos.
- Visio: o visio é uma ferramenta de desenho de processos, que não poderia nem mesmo se encaixar na categoria BPA (Business Process Analisys, onde está o IDS Scheer Aris por exemplo), pois não tem um repositório integrado de dados da modelagem.
Situação Atual
Não por acaso, parceiros de serviços e soluções da Microsoft têm preenchido a lacuna existente nessa estratégia para desenvolver aplicações próprias mais completas, integradas, voltadas a casos e problemas atuais e com ROI mais rápido.
Ao lançamento do SharePoint 2007, por exemplo, seguiu-se uma grande expectativa em relação as suas funcionalidades de processos. A decepção se mostrou clara ao lançamento de grande número de soluções de terceiros muito mais completas e melhores do que as que a Microsoft desenvolveu, tanto que hoje existe um nicho de mercado de soluções de BPM focadas exclusivamente no SharePoint. Nessa visão, o cliente sai perdendo, pois precisa adquirir duas soluções ao invés de uma.
A nosso ver, entretanto, a longo prazo, a solução da Microsoft para BPM não passará por nenhum desses produtos atualmente citados. Com certeza, para manter-se competitiva nesse mercado, se o assim desejar, a Microsoft deverá adquirir algum player específico de processos e já consolidado no mercado.
Publicação arquivada em: BPM
Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 542
Deixe um Comentário
Linkar esta publicação | Assine os comentários via o RSS