Arquivo de 27 de Novembro de 2007

BPM e metodologias de gerenciamento de projetos

Vamos abrir uma espaço para falar um pouco sobre automação de processos e metologias de gerenciamento de projetos.

Antigamente, por termos vindo de uma fábrica de softwares, estavamos acostumados com o modelo de gerenciamento de projetos “tradicional”, muito centrado pelas definições e conceitos do PMI.

E funcionava. A metologia do PMI é utilizada mundialmente com sucesso na gestão de projetos das mais diferentes magnitudes, sendo referência quando pensamos em alcançar os objetivos do projeto dentro dos custos e prazos definidos. Se falamos em software, então, o PMI é extremamente importante. Quando começamos a trabalhar com automação de processos e BPM, quase cinco anos atrás, o uso do PMI foi uma decisão natural , algo feito quase sem pensar. Treinamentos foram realizados, certificações foram buscadas. Artefatos foram adaptados, planilhas de controle criadas, métricas definidas. O PMI sempre foi uma referência e eu mesmo acabei de renovar minha filiação com o instituto.

A verdade, entretanto, é que, ao longo dos anos, sempre alguma coisa estava errada, alguma coisa esta faltando, alguma não estava fechando - e não sabiamos o quê.

Poucos meses atrás, nosso amigo, parceiro e grande orientador Luís Bender me passou uma folinha e disse para eu ler. Era um resumão do SCRUM, uma das metologias ágeis mais difundidas no mundo. Peguei o avião de volta para Porto Alegre e fui lendo no caminho. Na mesma noite, conversei com o Camilo, amigo que está trabalhando com TI na Nova Zelândia. Do nada, ele me falou que lá a certificação SCRUM é mais requisitada pelos empregadores do que a PMP. Peraí, disse eu, alguma coisa está errada.

Os próximos dias foram de leitura profunda do assunto e atualização sobre um tópico que sempre tinha visto com maus olhos. Um pouco de preconceito com XP, para variar, que alguém deve ter me passado. Ao final de alguns dias, estava mais claro do que nunca: não havia metodologia melhor de controle de projetos que se adaptasse as nossas necessidades do que a metologia ágil, mais especificamente, a SCRUM.

Explico:

- Automação de processos com software de BPM significa entrega de valor rápida, e é isso que vendemos. Precisamos colocar o software/processo no ar rapidamente, precisamos mostrar que tecnologia de processos funciona;

- Automatizar processos significa executar um processo diversos vezes, identificar pontos de melhorias e modificar o processo/software incrementalmente, adicionando novas funcionalidades todo o dia, que se adaptem a necessidade do cliente;

- Automação de processos significa retroalimentar o processo, modificá-lo conforme a necessidade e modificá-lo conforme a empresa muda suas regras de negócio, ou seja, andar na mesma velocidade da empresa. É o contrário do software tradicional, que fica estagnado no ponto onde o programador encerrou, ou vai até onde o contrato de manutenção permite.

- Automatizar processos com BPM é muito, mas muito mais rápido do que desenvolver software tradicional. O fato é que toda a documentação, toda a padronização e controle que os métodos tradicionais de projetos pregam, se aplicada em um projeto de BPM, levam muito mais tempo do que a própria automação do processo. Ou seja, você fica mais tempo documentando e analisando o processo do que transformando ele em realidade.

Um fato que observamos logo no início dos projetos de BPM é que, antigamente, estavamos acostumados a fazer protótipos dos sistemas antes de desenvolvê-los, e isso parecia uma boa prática. Porém, fazer protótipo de processo que vai ser automatizado com BPM é de total inutilidade e significa retrabalho, pois as vezes o protótipo pode levar mais tempo do que a automação simplificada do processo.

Enfim, uma metodologia de gerenciamento de projetos que irá trabalhar com automação de processos de negócio com BPM deve levar em conta os seguintes pontos:

- O escopo não está bem definido pois em geral as pessoas não trabalharam com processos antes e não tem idéia de como funciona;

- O escopo e funcionamento do sistema muda conforme o uso, e a mudança é saudável e significa que a empresa está evoluindo;

- O próprio uso do processo irá levantar tópicos e serem melhorados no sistema e isso deve deve algo natural;

Se você se enquadra nessa realidade, dê uma chance para as metologias ágeis. Quer saber mais sobre o assunto? Pode começar aqui.

 

11 comentários 27 de Novembro de 2007 às 21:10 Rafael Bortolini


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