Arquivo de 27 de Agosto de 2007

O mundo das siglas e padrões: Parte III - BPEL

Em mais um post da nossa super série de artigos sobre padrões de processos, vamos falar sobre um dos mais importantes e talvez mais polêmico padrão, o BPEL. Para relembrar, já falamos sobre BPMN e sobre XPDL.

A sigla WS-BPEL significa “Business Process Execution Language”. Atenção, o “E” significa “Execution” e não “Entity” como já vi escrito em alguns editais e sites pela Internet. O BPEL foi criado originalmente pela Microsoft (sim, ela mesma) e pela IBM, com o apoio de empresas como SAP e Siebel, no ano de 2003. Na verdade, o BPEL vem de uma combinação de padrões mais antigos, criados por essas empresas.

Após sua criação, esse consórcio passou o controle do padrão para a organização OASIS.

Entrando em mais detalhes, o BPEL é um padrão técnico, em formato XML. Se eu fosse enviar o BPEL por e-mail para você, eu iria atachar um arquivo (talvez com extensão .xml) e você poderia abri-lo no bloco de notas. O BPEL não possui notação gráfica, ele não possui uma “cara”. Aquele desenho de fluxograma que você viu na apresentação do fornecedor de ferramenta de BPM era uma interpretação visual do próprio fornecedor, ou era BPMN.

O objetivo principal do BPEL é descrever um processo de negócio que interaja com Web Services, internos ou externos. Isso significa definir e criar uma série de regras de fluxogramas, como seqüências, paralelismos, condicionais, loops, etc, para a execução de diversos Web Services em seqüência. Uma ferramenta de BPM que use o padrão BPEL por sua vez deve ser capaz de criar o modelo do fluxograma em BPEL e também de executá-lo, isso é, ler as regras definidas, executar as regras de negócio e invocar os Web Services (apesar de alguns fornecedores, como Microsoft, por exemplo, utilizarem o BPEL somente para importação e exportação de regras de fluxos para seus sistemas, similar ao XPDL).

Uma crítica antiga ao BPEL é que ele desconsidera um fator importante dos processos, que são as pessoas. No modelo básico, não existe um elemento ou regra que descreva uma tarefa que necessita a aprovação do diretor financeiro da empresa. Por outro lado, a maioria dos fornecedores já resolveu isso criando serviços (Web Services) de “notificação de pessoas”, que você acopla ao BPM. O problema vai ser quando for necessário usar o BPEL de uma ferramenta em outra…

Assim, talvez a maior questão envolvendo o BPEL, hoje, seja a relacionada a Web Services. O BPEL trabalha somente com Web Services. Se você não tem Web Services em seus sistemas, então terás problemas. Arquivos texto, tabelas de banco de dados, ftp, nada disso será possível usar sem programar Web Services antes.

Como conclusão, algumas opiniões próprias: o BPEL é muito legal mas hoje em dia me parece que sua importância está mais relacionada a divulgação por grandes fornecedores (Oracle, SAP, IBM…) do que a grandes cases de sucesso. A maioria absoluta das empresas não precisam ou não tem condições de usar BPEL hoje, e grande parte dos programas de BPEL que vemos são implementações mais complexas de processos de Workflow. O BPEL, hoje, me parece mais um padrão de integração de sistemas do que um padrão que poderia ser amplamente usado para montar processos de negócio das empresas.

3 comentários 27 de Agosto de 2007 às 10:25 Rafael Bortolini


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