Arquivo de Agosto de 2007

O mundo das siglas e padrões: Parte III - BPEL

Em mais um post da nossa super série de artigos sobre padrões de processos, vamos falar sobre um dos mais importantes e talvez mais polêmico padrão, o BPEL. Para relembrar, já falamos sobre BPMN e sobre XPDL.

A sigla WS-BPEL significa “Business Process Execution Language”. Atenção, o “E” significa “Execution” e não “Entity” como já vi escrito em alguns editais e sites pela Internet. O BPEL foi criado originalmente pela Microsoft (sim, ela mesma) e pela IBM, com o apoio de empresas como SAP e Siebel, no ano de 2003. Na verdade, o BPEL vem de uma combinação de padrões mais antigos, criados por essas empresas.

Após sua criação, esse consórcio passou o controle do padrão para a organização OASIS.

Entrando em mais detalhes, o BPEL é um padrão técnico, em formato XML. Se eu fosse enviar o BPEL por e-mail para você, eu iria atachar um arquivo (talvez com extensão .xml) e você poderia abri-lo no bloco de notas. O BPEL não possui notação gráfica, ele não possui uma “cara”. Aquele desenho de fluxograma que você viu na apresentação do fornecedor de ferramenta de BPM era uma interpretação visual do próprio fornecedor, ou era BPMN.

O objetivo principal do BPEL é descrever um processo de negócio que interaja com Web Services, internos ou externos. Isso significa definir e criar uma série de regras de fluxogramas, como seqüências, paralelismos, condicionais, loops, etc, para a execução de diversos Web Services em seqüência. Uma ferramenta de BPM que use o padrão BPEL por sua vez deve ser capaz de criar o modelo do fluxograma em BPEL e também de executá-lo, isso é, ler as regras definidas, executar as regras de negócio e invocar os Web Services (apesar de alguns fornecedores, como Microsoft, por exemplo, utilizarem o BPEL somente para importação e exportação de regras de fluxos para seus sistemas, similar ao XPDL).

Uma crítica antiga ao BPEL é que ele desconsidera um fator importante dos processos, que são as pessoas. No modelo básico, não existe um elemento ou regra que descreva uma tarefa que necessita a aprovação do diretor financeiro da empresa. Por outro lado, a maioria dos fornecedores já resolveu isso criando serviços (Web Services) de “notificação de pessoas”, que você acopla ao BPM. O problema vai ser quando for necessário usar o BPEL de uma ferramenta em outra…

Assim, talvez a maior questão envolvendo o BPEL, hoje, seja a relacionada a Web Services. O BPEL trabalha somente com Web Services. Se você não tem Web Services em seus sistemas, então terás problemas. Arquivos texto, tabelas de banco de dados, ftp, nada disso será possível usar sem programar Web Services antes.

Como conclusão, algumas opiniões próprias: o BPEL é muito legal mas hoje em dia me parece que sua importância está mais relacionada a divulgação por grandes fornecedores (Oracle, SAP, IBM…) do que a grandes cases de sucesso. A maioria absoluta das empresas não precisam ou não tem condições de usar BPEL hoje, e grande parte dos programas de BPEL que vemos são implementações mais complexas de processos de Workflow. O BPEL, hoje, me parece mais um padrão de integração de sistemas do que um padrão que poderia ser amplamente usado para montar processos de negócio das empresas.

4 comentários 27 de Agosto de 2007 às 10:25 Rafael Bortolini

Alguns motivos para usar o BPMN

O BPMN (Business Process Modeling Notation) é uma notação e um conjunto de regras para modelagem e desenho de processos de negócio. Com o BPMN é possível
mapear em detalhes todos os processos de negócio da empresa, orientados ou não ao desenvolvimento de um software, e com a capacidade de representar relações entre empresas diferentes (clientes e fornecedores) , ao mesmo tempo com uma visão global da organização através do uso de sub-processos.

O BPMN foi criado e tem o apoio das principais empresas de TI do mundo, como IBM, SAP, Oracle e Microsoft. Atualmente, o BPMN é controlado pela OMG, mesmo organização internacional que controla o UML. Num futuro próximo, a tendência é que o UML (Diagramas de atividades) e BPMN irão se fundir.

O BPMN é independente de ferramenta, de sistemas ou de plataforma de operação. Praticamente todos os produtos de modelagem de processos do mundo já se adaptaram ou estão se adaptando ao modelo BPMN, incluindo Microsoft Visio, IDS Scheer Aris, Proforma Provision e IBM (http://www.bpmn.org/BPMN_Supporters.htm).

O principal objetivo do BPMN é diminuir a distância de entendimento entre os objetivos do projeto, definidos pelos sponsors, a análise de requisitos realizada por analistas e o programa desenvolvido pelos técnicos, reduzindo os riscos do projeto. Isso é possível através de uma notação simples porém poderosa e uma visão orientada a processos.

O BPMN, dentro da área de modelagem de processos, é a especificação que mais cresce e a única unanimidade, pois praticamente não possui concorrentes. O BPMN pode e deve ser utilizado como ferramenta no apoio ao desenvolvimento de softwares, e para empresas interessadas em controle de qualidade, certificação ISO ou CMM(i) ou melhoria de processos.

A utilização de um padrão permite que diferentes empresas e profissionais possam compartilhar conhecimentos e entendimentos sobre o funcionamento das regras de processos em comum.

Adicionar comentário 22 de Agosto de 2007 às 12:14 Rafael Bortolini


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